Nós, que somos homens do conhecimento, não conhecemos a nós próprios; somos de nós
mesmos desconhecidos e não sem ter motivo. Nunca nós nos procuramos: como poderia,
então que nos encontrássemos algum dia? Com razão alguém disse: "onde estiver o teu
tesouro, aí estará também o teu coração". Nosso tesouro está onde se assentam as colméias
do nosso conhecimento. Estamos sempre no caminho para elas como animais alados de
nascimento e recolhedores do mel do espírito, nos preocupamos de coração propriamente de
uma só coisa - de "levar para casa" algo. No que se refere, por demais, a vida, as denominadas
"vivências" - quem de nós tem sequer suficiente seriedade para elas? Ou o suficiente tempo?
Jamais temos prestado bem atenção "ao assunto": ocorre precisamente que não temos ali
nosso coração - e nem sequer nosso ouvido! Antes bem, assim como um homem divinamente
distraído e absorto a quem o sino acaba de estrondear fortemente os ouvidos com suas dozes
batidas de meio-dia, e de súbito acorda e se pergunta "o que é que em realidade soou?", assim
também nós abrimos às vezes, os ouvidos depois de ocorridas as coisas e perguntamos,
surpreendidos e perplexos de tudo, "o que é que em realidade vivemos?, e também " quem
somos nós realmente? e nos pomos a contar com atraso, como temos dito, as doze vibrantes
campainhas de nossa vivência, de nossa vida, de nosso ser - ah! e nos equivocamos na conta...
Necessariamente permanecemos estranhos a nós mesmos, não nos entendemos, temos que nos
confundir com outros, e, em nós servirá sempre a frase que disse "cada um é para si mesmo o
mais distante" continuamos a nos considerar "homens do conhecimento".
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Uma mistura meio louca de
Nietzche X Pessoa .
Estou adorando ler Nietzche, terminei hoje de ler o Anticristo , provavelmente ja irei começar Genealogia da Moral.
Enquanto isso deixo um dos pensamentos de Nietzche.