Antes de tudo vale a pena explicar que "foca" é o jornalista em início de carreira, novato e ainda inexperiente. Aquele que escorrega de vez em quando, que se deslumbra com as primeiras pautas, que deixa passar alguns detalhes importantes, ingênuo ainda para as manhas da profissão.
As gafes são sempre hilárias, a primeira gravação do boletim no rádio, perna tremendo, ou melhor, o corpo inteiro tremendo, a voz então falta, você gagueja, pula a linha e o texto perde o sentido, tem também as palavras difíceis que por algum motivo que nem você mesmo entende colocou na bendita lauda e no nervosismo você não consegue pronunciar.
Você como estudante quer sempre ir além das pautas mais do mesmo, ai você resolve entrevistar o secretário da Prefeitura. Toda gentil você liga e se apresenta a secretária nem deixa você terminar e já te transfere para a assessoria, lá eles nem deixam você continuar e desligam na sua cara, mas você não desiste fácil, só depois da quarta ignorada você percebe que tem que mudar a abordagem, em alguns lugares simpatia de estudante não ajuda.
Você liga novamente, não espera nem terminar o Alô e fala:
- Com quem eu falo?
- José
- José aqui é a Ariane da rádio estação (ter amigo radialista ajuda) estamos com uma pauta sobre multa moral e quero marcar uma entrevista com o secretário no máximo até sexta-feira é possível.
- Claro que sim! Vou agendar com a secretária dele e te retorno em meia hora pode ser?
- Com certeza aguardo seu contato.
No tempo estipulado ele retorna a ligação e você grava a sua matéria, e fica pensando sobre a falta de consideração pelos estudantes de jornalismo, estamos aprendendo, o que custa ajudar né.
No final tudo se resolve, você fica duas horas decupando uma entrevista para usar alguns segundo, e está pronta para novas aventuras e telefones na cara.