A arte da Sociedade Industrial

Começo esse texto com a seguinte questão: As identidades nacionais estão sendo homogeneizadas?
A resposta parece complexa, mas não paramos para verificar o quanto essa sociedade de consumo e essa produção em série homogeneízam as pessoas onde o “fazer mecânico atinge o fazer artístico”.
Todas as pessoas conhecem a tão famosa Monaliza, mas poucas pessoas têm acesso à arte em si, que se torna um circulo fechado para pessoas com uma educação privilegiada e condições financeiras para ter acesso ás obras.
A obra de arte única se torna cada vez mais ultrapassada, cultuada pelos museus que tem como papel principal preservar a memória de uma época ou de um povo, e que luta com unhas e dentes para se manter presente entre a população, com oficinas culturais e projetos de incentivos.
Com essa busca constante pela velocidade e movimento na vida moderna, a Indústria Cultural se fortalece com o aparecimento do cinema, onde é possível verificar a impressão de realidade que é capaz de criar um universo cultural á sua imagem, atribuindo valores, crenças e estéticas.
Tudo se torna mecanizado, se perde o ensaio para as coisas, até para tirar uma foto se tornou fácil, coisa que era um momento único, que as pessoas se preparavam para tirar e se tornava a recordação familiar.
Nesse processo eis que surge a pirataria com sua rapidez e criação da moda. Não tem como negar que nos tornamos todos iguais, possuímos os mesmos gostos e pensamos como nos é imposto, afinal com esse boom de informação, adquirimos um pouco de tudo sem nos dedicarmos realmente a nada.
Raramente visitamos uma exposição, museu e nem chegamos a reconhecer os conceitos de arte embutidos nas peças publicitárias que vimos o dia inteiro.
Perdemos o interesse pelo belo e muitas vezes demorado, é muito mais fácil brincar com imagens no photoshop e até mesmo criar imagens como POP ART sem ao menos conhecer seu conceito.
Por esse motivo nada melhor do que dizer um “Viva a arte na sociedade Industrial”.
"(...) e o que na escola chamamos de História Universal e tudo quanto dela sabemos de cor sobre os heróis, os gênios, os grandes feitos e sentimentos, tudo não passa de uma grande farsa inventada pelos mestres para fins educacionais com o intuito de manter as crianças ocupadas por um determinado número de anos. Sempre foi e será assim: o tempo e o mundo, o dinheiro e o poder pertencem aos mesquinhos e superficiais, e nada coube aos outros, aos verdadeiros homens, nada a não ser a morte."
(Hermann Hesse. O Lobo da Estepe)

Memórias de Nane

Cá estou eu numa nova situação de desamparo. Onde estão os homens que amei? Meus amigos, meus sonhos, minhas opiniões politicas?
Estou só. Tenho vinte e três anos. Cavuquei minha esperança debaixo da cama. Não encontrei. Não moro em casas assombradas que no passado foram refúgios de piratas.
Chego a conclusão de que o tesouro foi me roubado porque descri definitivamente de sua existência. Embaixo da cama, no cristianismo, na familia, no futuro profissional, na escola, nos companheiros, homens e mulheres.



O dia já amanheceu. Faz um frio de doer. Aborreço-me enquanto me reviro debaixo das cobertas, pensando aquele meu maldito corpo gordo e aquelas pernas doloridas não contribuem nem mesmo em prol de si próprios: me autodeterminei a levantar mais cedo para fazer um pouco de ginástica, e há meia hora estou lutando em vão contra o entorpecimento.
(" Vamos se continuarmos assim, como então, você vai fazer tudo o que quer?! Anda logo! Levanta dessa cama e faça cinco flexões pra começar.")
Olho o relógio e "merda" , descubro que durante essas reflexões fantásticas o tempo voou. Caminho até a cozinha e dou de cara com a minha mãe a me analisar:

- Onde você vai ?
- Á Faculdade. Que pergunta!
- Coma antes.
- Não posso estou atrasada
- Você está pálida! Com uma cara esquelética!
- Ué ontem a senhora disse que estava gorda.
- Pois está ! Dos ombros pra baixo.

Saiu correndo, chego a estação e lá se vai o trem. Adeus primeira aula!

Olho as pessoas que me acompanham no transporte publico. Todas parecem ter pensamentos sérios.Não sei porque, em dado momento, tenho a certeza de os olhares vazios( com um jeito de conta mental e preocupação familiar) são a maneira de se esquecer o quanto se é, de fato idiota.
O barulho das portas do trem me tiram do transe e volto a realidade, correria e gente se batendo para subir a escada rolante.
Enfim chego a faculdade para assistir a segunda aula e logo começa a correria de novo ;}
Com um simples então , se começa o dialogo
nessa vida de muitos hum mm, ahhh, ehhhh e reticências em todos os sentidos.
E então a vida segue seu curso... e o começo do dialogo se perde na estação
*-*

Casal 2.0

Em uma noite solitária, como milhares de pessoas, Pedro está no belo dilema está muito cedo para dormir e cansado demais para ler, a única coisa que conseguiu achar para se distrair era se conectar a Internet rever seus amigos, ler seus e-mails, mas pela primeira vez resolveu se arriscar em uma sala de bate papo, não que acreditasse que poderia sair algo bom de lá, já que por não ter contato próximo é bem mais fácil fingir ser o que não é. Não estava a fim de inventar nada e colocou seu nome mesmo, alguns Ois e eis que surge Bruna, diferente de tudo que ele pudesse imaginar, não houve o interrogatório normal, qual seu nome? Sua idade? De onde tc? Ela iniciou dizendo que a Internet era a única saída para os solitários e perguntou como ele estava?
A conversa se desenrolou por 1 hora até que resolveram trocar e-mails, a rotina de Pedro mudou totalmente, a cada 5 minutos arrumava um jeito de entrar na Internet, mesmo que tivesse que conectar pelo celular, só para saber se chegou e-mail de Bruna.
Com sua constante conexão, manteve mais contatos com seus amigos e parentes distantes, até parecia que Pedro havia se tornado mais sociável.Bia chamou Pedro para sair e finalmente se encontrarem, já fazia uns seis meses que conversavam e nunca haviam se visto.
Foram se encontrar em um Bar na Vila Madalena em São Paulo, a sintonia entre os dois eram imensa e depois desse encontro, decidiram arriscar um namoro, sua rede de amigos agora conheciam o casal 20.Até a mãe de Pedro conheceu a Nora através de uma Web Cam. O convite de Casamento foi enviado via e-mail e até mesmo usaram lembretes via Scrap para que ninguém faltasse. Como a família de Bruna estava fora dos Pais e não tinha como voltar a tempo para o Casamento, ele foi transmitido ao vivo graças à ajuda de Pedro com sua câmera, e ainda conseguiram receber as bênçãos dos pais.
O casal não deixa de registrar seus momentos , compartilhando-os, e até criaram um blog para que possam descrever sua vida e não deixa nunca a Internet que é seu Padrinho de Casamento e Felicidade.

Elegia 1938 - Fernando Pessoa


Trabalhas sem alegria para um mundo caduco
onde as formas e ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue- frio, a concepção.
A noite, se neblina, abrem guarda- chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerras
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mais o terrível despertar prova a existencia da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifraveis palmeiras.

Caminhas entre os mortos e com eles conversa
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espirito.
A literatura estragou suas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitisímo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva,a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes sozinho dinamitar a ilha de Manhattan.
Muito bom esse poema .... expressam todos meus sentimentos
Reflexão sobre fim de semestre. kkkk
Difícil é lidar com donos da verdade. Não há dúvida de que todos nós nos apoiamos em algumas certezas e temos opinião formada sobre determinados assuntos; é inevitável e necessário. Se somos, como creio que somos, seres culturais, vivemos num mundo que construímos a partir de nossas experiências e conhecimentos. Há aqueles que não chegam a formular claramente para si o que conhecem e sabem, mas há outros que, pelo contrário, têm opiniões formadas sobre tudo ou quase tudo. Até aí nada de mais; o problema é quando o cara se convence de que suas opiniões são as únicas verdadeiras e, portanto, incontestáveis. Se ele se defronta com outro imbuído da mesma certeza, arma-se um barraco.

Vende-se um grito - Fernando Bonassi.

Vende-se um grito (pré adaptação)

"Vende-se um grito! Vende-se um grito usado, vende-se gritos semi novos e sobretudo procura-se gritos novos pra curar aqueles que já tem calos na língua de tanto calar. Vende gritos que digam mais do que falem, é até melhor se evitar as palavras, o interessante mesmo é se gritar idéias.

Vende-se um grito! usado em outras épocas, ousado em certas coisas e vencido pelas circunstâncias. Vende-se um grito de aviso um encontro marcado com o pecado, um grito gritado pra dar juízo! ( vende –se um grito ajustado, um grito pacato). Um grito patético, dramático, político e poético! Não está parado ar com um símbolo empoeirado dos antigos, mas teima em se coçar na garganta dos incomodados! (Vende-se um grito um grito maldito de se dizer, difícil de se explicar e esquisito de se ver.) Pode ser suave e quietinho metido direitinho onde quer que possa pra acordar quem quer que seja. Pode não ser um grito que se veja de onde vem ou pra onde vai. (São gritos agitados pra ferir os tímpanos dos surdos e abrir os cornos dos cegos escarrados de pranto e mudos de espanto.). Vende-se gritos fantasmas e de ataques de asma, (de espanto e de susto!). Há muitas sutilezas nesses gritos de cama e mesa. Vende-se um grito canceroso, estupendo, duvidoso. Mas pode ser um grito charmoso, dadivoso, langoroso. Tudo depende do gosto. Ou de como se dá o grito! Ou do com o quê! Se dá o grito! Um grito que se dá! È barato!
Mas pode ser caro! Quando é querido e zelado por alguns que gritam que melhor que os outros. Vende-se um grito em convulsão! Um grito e a sua duração... conforme a fatura das prestações dos débitos e os limites do cartão de crédito. (Vende-se gritos, exprimidos, gritados por terceiros e escarrados nos travesseiros.) Há gritos pra lembrar e pra esquecer! Gritos apregoados pra vender! Por que um grito pode sim ser comprado!: Vende-se um grito suado pelo trabalho, lesado pelo salários e aposentado pelo INSS como raquítico. Vende-se um grito cansado que vai mudar pro mesmo lugar! Vende-se um grito no escuro, perplexo com medo do futuro. Por que já que ele parece uma droga, e a juventude é ansiosa e sedenta, ela prefere tomar sua parte direto na veia, do agora, e a única divisão e distribuição que realmente é feita é a das seringas.
Vende-se um grito que salva, que pega, que larga. Vende-se um grito do que atira e do baleado e dos filhos dos dois as tontas pelo mundo.
Vende-se gritos de alívio, gritos iluminados que exprimem pensamentos e vendes-se gritos de lamento. Há gritos que são assim pra despertar da dor os despertador dos que teimam em dormir.
Vende-se gritos dados ao nascer! O grito desses bebês minúsculos já é de espanto!!! Mesmo que ainda não saibam nada. (Pode-se impor uma vontade no grito, podemos ser vencidos no berro. Há questões de vaidade, até nos gritos de felicidade!
Há gritos! Que poderão nem ser gritos! No sentido em que serão sentidos, serão mais um guincho irado!!! Vende-se mil gritos danados... São gritos o que vendemos. Insatisfação garantida ou seu dinheiro de volta. São gritos o que vendemos insatisfação garantida ou seu dinheiro de volta."