Casal 2.0

Em uma noite solitária, como milhares de pessoas, Pedro está no belo dilema está muito cedo para dormir e cansado demais para ler, a única coisa que conseguiu achar para se distrair era se conectar a Internet rever seus amigos, ler seus e-mails, mas pela primeira vez resolveu se arriscar em uma sala de bate papo, não que acreditasse que poderia sair algo bom de lá, já que por não ter contato próximo é bem mais fácil fingir ser o que não é. Não estava a fim de inventar nada e colocou seu nome mesmo, alguns Ois e eis que surge Bruna, diferente de tudo que ele pudesse imaginar, não houve o interrogatório normal, qual seu nome? Sua idade? De onde tc? Ela iniciou dizendo que a Internet era a única saída para os solitários e perguntou como ele estava?
A conversa se desenrolou por 1 hora até que resolveram trocar e-mails, a rotina de Pedro mudou totalmente, a cada 5 minutos arrumava um jeito de entrar na Internet, mesmo que tivesse que conectar pelo celular, só para saber se chegou e-mail de Bruna.
Com sua constante conexão, manteve mais contatos com seus amigos e parentes distantes, até parecia que Pedro havia se tornado mais sociável.Bia chamou Pedro para sair e finalmente se encontrarem, já fazia uns seis meses que conversavam e nunca haviam se visto.
Foram se encontrar em um Bar na Vila Madalena em São Paulo, a sintonia entre os dois eram imensa e depois desse encontro, decidiram arriscar um namoro, sua rede de amigos agora conheciam o casal 20.Até a mãe de Pedro conheceu a Nora através de uma Web Cam. O convite de Casamento foi enviado via e-mail e até mesmo usaram lembretes via Scrap para que ninguém faltasse. Como a família de Bruna estava fora dos Pais e não tinha como voltar a tempo para o Casamento, ele foi transmitido ao vivo graças à ajuda de Pedro com sua câmera, e ainda conseguiram receber as bênçãos dos pais.
O casal não deixa de registrar seus momentos , compartilhando-os, e até criaram um blog para que possam descrever sua vida e não deixa nunca a Internet que é seu Padrinho de Casamento e Felicidade.

Elegia 1938 - Fernando Pessoa


Trabalhas sem alegria para um mundo caduco
onde as formas e ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue- frio, a concepção.
A noite, se neblina, abrem guarda- chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerras
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mais o terrível despertar prova a existencia da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifraveis palmeiras.

Caminhas entre os mortos e com eles conversa
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espirito.
A literatura estragou suas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitisímo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva,a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes sozinho dinamitar a ilha de Manhattan.
Muito bom esse poema .... expressam todos meus sentimentos
Reflexão sobre fim de semestre. kkkk
Difícil é lidar com donos da verdade. Não há dúvida de que todos nós nos apoiamos em algumas certezas e temos opinião formada sobre determinados assuntos; é inevitável e necessário. Se somos, como creio que somos, seres culturais, vivemos num mundo que construímos a partir de nossas experiências e conhecimentos. Há aqueles que não chegam a formular claramente para si o que conhecem e sabem, mas há outros que, pelo contrário, têm opiniões formadas sobre tudo ou quase tudo. Até aí nada de mais; o problema é quando o cara se convence de que suas opiniões são as únicas verdadeiras e, portanto, incontestáveis. Se ele se defronta com outro imbuído da mesma certeza, arma-se um barraco.

Vende-se um grito - Fernando Bonassi.

Vende-se um grito (pré adaptação)

"Vende-se um grito! Vende-se um grito usado, vende-se gritos semi novos e sobretudo procura-se gritos novos pra curar aqueles que já tem calos na língua de tanto calar. Vende gritos que digam mais do que falem, é até melhor se evitar as palavras, o interessante mesmo é se gritar idéias.

Vende-se um grito! usado em outras épocas, ousado em certas coisas e vencido pelas circunstâncias. Vende-se um grito de aviso um encontro marcado com o pecado, um grito gritado pra dar juízo! ( vende –se um grito ajustado, um grito pacato). Um grito patético, dramático, político e poético! Não está parado ar com um símbolo empoeirado dos antigos, mas teima em se coçar na garganta dos incomodados! (Vende-se um grito um grito maldito de se dizer, difícil de se explicar e esquisito de se ver.) Pode ser suave e quietinho metido direitinho onde quer que possa pra acordar quem quer que seja. Pode não ser um grito que se veja de onde vem ou pra onde vai. (São gritos agitados pra ferir os tímpanos dos surdos e abrir os cornos dos cegos escarrados de pranto e mudos de espanto.). Vende-se gritos fantasmas e de ataques de asma, (de espanto e de susto!). Há muitas sutilezas nesses gritos de cama e mesa. Vende-se um grito canceroso, estupendo, duvidoso. Mas pode ser um grito charmoso, dadivoso, langoroso. Tudo depende do gosto. Ou de como se dá o grito! Ou do com o quê! Se dá o grito! Um grito que se dá! È barato!
Mas pode ser caro! Quando é querido e zelado por alguns que gritam que melhor que os outros. Vende-se um grito em convulsão! Um grito e a sua duração... conforme a fatura das prestações dos débitos e os limites do cartão de crédito. (Vende-se gritos, exprimidos, gritados por terceiros e escarrados nos travesseiros.) Há gritos pra lembrar e pra esquecer! Gritos apregoados pra vender! Por que um grito pode sim ser comprado!: Vende-se um grito suado pelo trabalho, lesado pelo salários e aposentado pelo INSS como raquítico. Vende-se um grito cansado que vai mudar pro mesmo lugar! Vende-se um grito no escuro, perplexo com medo do futuro. Por que já que ele parece uma droga, e a juventude é ansiosa e sedenta, ela prefere tomar sua parte direto na veia, do agora, e a única divisão e distribuição que realmente é feita é a das seringas.
Vende-se um grito que salva, que pega, que larga. Vende-se um grito do que atira e do baleado e dos filhos dos dois as tontas pelo mundo.
Vende-se gritos de alívio, gritos iluminados que exprimem pensamentos e vendes-se gritos de lamento. Há gritos que são assim pra despertar da dor os despertador dos que teimam em dormir.
Vende-se gritos dados ao nascer! O grito desses bebês minúsculos já é de espanto!!! Mesmo que ainda não saibam nada. (Pode-se impor uma vontade no grito, podemos ser vencidos no berro. Há questões de vaidade, até nos gritos de felicidade!
Há gritos! Que poderão nem ser gritos! No sentido em que serão sentidos, serão mais um guincho irado!!! Vende-se mil gritos danados... São gritos o que vendemos. Insatisfação garantida ou seu dinheiro de volta. São gritos o que vendemos insatisfação garantida ou seu dinheiro de volta."

A beleza de ser um eterno aprendiz





Ah felicidade tão buscada e tão difícil, mas afinal o que é a felicidade?
Um grande mestre budista incentiva a viver a vida como uma constante impermanência, ele conta que o viver ideal deve ser uma constante viagem, andar de um lugar ao outro sem fixar-se. Chegando em um lugar ficar até o momento em que já consiga saber o nome das pessoas, assim que souber, levantar acampamento e buscar uma rota contrária.
Cada qual vive em busca de sua essência e sua satisfação seja ela através do crescimento espiritual e abdicação aos prazeres mundanos ou adesão á bens materiais.
O segredo da vida está em receber tudo que nos for permitido , por isso cante, dance, faça, ultrapasse limites, enlouqueça, busque o significado de Ser.
Esqueça a ganância, evite guerras com você mesmo, não é a toa que vários filósofos passaram a vida inteira montando modelos de sociedades ideais, que buscavam a igualdade e a valorização do ser humano.
Que tal seguir alguns exemplos tenha mais acesso as artes, exercite-se sempre, leia mais, mantenha o equilíbrio entre seu corpo e sua mente e realize tudo que for possível, afaste a insegurança, não seja dominado pelo talvez.
Somos eternos aprendizes na vida, se permita a tudo e receba o que te é oferecido separando o joio do trigo.

Tudo é sempre igual depois do Carnaval

Pode parecer besteira, mas quantas vezes você levanta pela manhã abre a janela e admira o dia, o sol a chuva ou até mesmo o céu cinzento de São Paulo?
A maioria dos Paulistanos vive em função do relógio, correndo contra o tempo, afinal tempo é dinheiro, logo quanto mais eu preencher meu dia, mas dinheiro eu terei.
Acordam e vão dormir com milhões de tarefas pendentes, esquecendo de contar uma historia pros filhos ou perguntar como foi à escola, e quando se vê ele já estão namorando e marcam o casamento pro final do mês que vem.
A cegueira urbana está nos consumindo a cada dia mais, trocamos o contato físico com amigos e familiares para a ligação rápida durante o dia ou quem sabe um bate papo no MSN enquanto preenchemos um relatório ou comemos algo.
Passam-se os tempos, os dias, os meses e você diz quantas vezes bom dia pro seu vizinho ou então reparou que a sua rua inteira está com um carro do ano?
Os bens são trocados a cada dois anos e você fica espantado quando recebe um e-mail que contém fotos do Atari, Lango-Lango e o Fofão.
O tempo voa e quando menos esperamos chegou o Ano Novo assiste a retrospectiva na TV e se espanta com tudo que aconteceu ou então pega um papel para analisar a proposta do ano vivido e percebe que os pontos que pretendia mudar ainda estão à espera de uma atitude e promete a si mesmo que ano que vem vai ser diferente.
Enumera suas tarefas como ver mais os amigos, dar risada com as fotos antigas com os familiares.
Mas sabemos que a rotina volta sempre ao normal depois do Carnaval.

Um brinde a tudo que eu não quero mais viver
e a tudo que eu quero viver e ainda não vivi!"